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A Dualidade da Guerra: os impactos na vida da mulher profissional de saúde em tempos de Pandemia

Atualizado: 10 de Jul de 2020

Os impactos da Covid-19 na saúde mental das médicas da linha de frente


As mulheres enfrentam, diariamente, os desdobramentos de anos de patriarcado. Demoraram a ter seus direitos reconhecidos e sofrem ainda hoje com a falta de equidade na sociedade, sendo essa irrefutavelmente uma luta incansável desse gênero. A mulher foi ensinada, por homens, que deveria cuidar da casa e de sua família e que nada deveria aprender, a não ser a realizar essas tarefas. Fomos nos desfazendo desse estigma e buscando novos horizontes. Os horizontes das universidade, dos cargos de liderança e por aí vai... mas infelizmente não conseguimos interromper a cadeia de demandas domésticas que poucas conseguem dividir com seus parceiros.

Nesse sentido, pensemos em uma profissional da área de saúde no contexto atual: mulheres fortes e dedicadas que vivem batalhas diárias no âmbito profissional, lutando contra o mal que está assolando o mundo a pouco mais de 3 meses. No momento em que chegam em casa, partem para a segunda batalha: cuidar da casa e de seus filhos.

As circunstâncias que circulam essas mulheres são arbitrárias. Precisariam que seus dias tivessem mais de 24 horas, ou que tivessem um apoio maior de sua rede social (compreendida no sentido pessoal). Além de tudo isso, precisam lidar com a preocupação do fato que, ao estar frente a frente com a doença, podem acabar levando-a para dentro de suas casas e infectando sua família que tanto ama, influenciando ainda mais em uma possível instabilidade psíquica dessa mulher.

A sensação de confiança na gestão e nos protocolos de biossegurança, os quais disponibilizam equipamentos adequados para sua segurança nos hospitais, UBS, CAPS, em que trabalham, são um dos elementos importantes para auxiliar nesse processo de desequilíbrio, proporcionando o movimento inverso: uma possível solidez psicológica.

Os impactos esperados para a população como um todo dessa pandemia são desanimadores. A OMS, estima que aproximadamente ⅓ até a metade da população mundial possui o potencial de desenvolver manifestações psicopatológicas (ou seja, transtornos psíquicos como ansiedade e depressão, por exemplo) caso não seja feita nenhuma intervenção.

Analisemos então o momento em que as profissionais de saúde femininas precisam reduzir seu estresse e elaborar com concretude o que está acontecendo em seu mundo externo e ainda mais em seu mundo interno, com tantas demandas a sua volta.

Nesse sentido, o autocuidado é um elemento importantíssimo para auxiliar positivamente na saúde dessa mulher, e nos demais que se relacionam com ela. O autocuidado é um conjunto de ações para manter a sua própria saúde e bem-estar, podendo significar um olhar para a questão corporal ou mental, em uma vertente emocional. Ou seja, o primeiro passo para o autocuidado é a observação para consigo, e dessa forma poder criar estratégias de melhoria em sua qualidade de vida. Esse movimento, é um momento pessoal e orientado para atividades que façam sentido para você, conciliando a vida de batalhas com um momento de relaxamento e fortalecimento de autoestima e confiança


Escrito por: Lorenza Facó Gelschleiter

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