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Diferença salarial entre Homens e Mulheres com foco no setor de saúde.

Atualizado: 10 de Jul de 2020

Os desafios que as profissionais da saúde ainda terão que enfrentar para alcançar igualdade de direitos em sua carreira


Estudos apontam que desde 2010, a população feminina no Brasil vem, cada vez mais, crescendo quando comparada a população masculina do país. Por consequência, é de se esperar que a feminização das mais diferentes profissões, acompanhe essa tendência, ou seja, que gradativamente as mulheres passem a conquistar mais espaços nos mais diversos setores do mercado de trabalho. A cada ano que passa, as mulheres verdadeiramente vêm ocupando mais cargos, e no âmbito da saúde, sua participação se torna mais forte. Hoje a presença feminina passou a ser ainda maior entre os médicos registrados no País. Um exemplo disso: entre os profissionais de até 29 anos de idade, 57,4% eram do sexo feminino, em comparação com 53,7% entre a faixa dos 30 anos aos 34 anos, afirma o Portal Pebmed, Jornal da USP.


Porém, quando vamos analisar a distribuição de salários e cargos de poder, essa relação já se torna desigual. No setor da saúde, ao analisarmos as competências entre um homem e uma mulher que trabalham em cargos equivalentes, não existem diferenças relevantes entre elas, ambos demonstram ser igualmente competentes. No entanto existe um abismo salarial entre eles, e não existirem fatores que possam explicá-lo, além de que ambos diferem em seu sexo biológico.


De acordo com o Estadão Saúde Summit publicado no dia nove março desse ano, entre os médicos que trabalham entre 20 horas e 40 horas semanais, 2,7% são mulheres e recebem cerca de US$ 10.762 (equivalente a R$ 42.780), enquanto os outros 13% que recebem o mesmo valor são do sexo masculino. Além disso, o Jornal da USP indica que no Brasil, a chance de um médico homem estar entre os mais bem remunerados da profissão é de 17,1%. Para as médicas mulheres, porém, essa probabilidade fica nos 4,1%.


Outras informações relevantes foram obtidas através da análise dos resultados publicados de uma pesquisa feita para uma revista médica chamada BMJ Open. Os dados foram calculados por meio de uma amostra que respondeu uma pesquisa telefônica conduzida em 2014, que continha aproximadamente 30 perguntas. Essas foram formuladas com o objetivo de melhor compreender as diferenças que existiam entre os funcionários e seus privilégios, cobrindo tanto características sociodemográficas (gênero, idade, localidade) quanto outras relacionadas ao trabalho, incluindo jornada de trabalho semanal, número de plantões realizados, tempo de experiência profissional e especialidade médica.


Como resultado, mostrou-se que 80% das mulheres na profissão estão nas três categorias de renda mais baixas, enquanto 51% dos homens estão nas três faixas de maiores rendimentos.Tais informações são um reflexo da dificuldade que as mulheres enfrentam no quesito disparidade salarial. Para melhor entender os números, é importante saber que muitas mulheres encontram dificuldades de alcançar cargos altos no decorrer de suas profissões, dos quais a remuneração é elevada.


Isso impede não só o aumento de salário, mas também o desenvolvimento completo de suas competências e habilidade, que se desenvolvem por meio dos desafios dentro do próprio ambiente de trabalho, no decorrer de sua carreira, uma vez que essa é limitada para as mulheres do setor. Sendo assim, é uma luta ainda maior para esse grupo feminino em atingir sua realização profissional e pessoal, diminuindo seu potencial de ter um grande impacto no mundo além do potencial de agregar valor ao local em que trabalham. Isso tudo demonstra como que alguns por exemplo, menores jornadas de trabalho poderiam justificar, de certa forma, a renda inferior das mulheres. E infelizmente, isso não se limita apenas ao setor da saúde (a diferença salarial entre gêneros sem restrição de setor é de, em média, 20%. Mulheres recebem menos do que homens na mesma função)


Fontes:

Portal Pebmed, Jornal da USP.

Estudos em Demografia Médica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP)

artigo na revista médica BMJ Open.


Escrito por: Juliana Siqueira