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O mercado de trabalho indócil à igualdade de gênero e o poder da mulher na liderança

Apesar das mulheres já terem feitos grandes avanços na entrada ao mercado de trabalho, ainda existe muito a ser feito!

O mercado de trabalho indócil à igualdade de gênero e o poder da mulher na liderança

Em um mundo com tantas desigualdades, destaquemos a terrível dessemelhança na acolhida de mulheres no mercado de trabalho. Podemos enfatizar que o processo de industrialização, a Segunda Guerra Mundial e o movimento feminista, são fatores que impulsionaram o movimento da mulher de saída do ambiente familiar para o mercado de trabalho. O que ainda não é uma completa realidade, visto que, as mulheres ainda dedicam cerca de 73% a mais de horas por semana que os homens nos afazeres domésticos

Esses movimentos, facilitaram a criação de uma discussão pautada em gêneros, principalmente, acerca dos papéis sociais que homens e mulheres “deveriam” exercer na sociedade. Esses papéis foram responsáveis pela constituição de padrões comportamentais, os quais podem ser entendidos como uma construção social e não como uma característica “natural”. Dessa forma, a construção social de gênero não é contestada e as relações humanas são baseadas nas características impostas às mulheres como passividade, domesticidade, dependência, emocionalidade, que são consideradas naturais pela sociedade

Podemos pensar então, que a mulher que parte para o mercado de trabalho causa um grande desconforto, ou melhor dizendo, apavora homens que, para proteger toda uma hierarquia de processos e esses papéis sociais, desperdiçam talentos deixando de contratar mulheres e não lhes pagando um valor justo e igualitário, recebendo até 30% a mais que elas.

E eu vou te explicar o porquê de tanto medo! No Brasil em 2016, o percentual da população com mais de 25 anos e com ensino superior completo foi de 13,5% de homens e 16,9% de mulheres, divididos da seguinte forma: 20,7% homens brancos, 23,5% mulheres brancas, 7% homens negros e pardos, e 10,4% de mulheres negras e pardas. Aqui, vemos claramente que as mulheres superam os homens no quesito educação.

Além disso, a contratação de mulheres traz um foco à diversidade e cria vantagem competitiva, pois um ambiente onde pessoas têm hábitos, formações, pensamentos e experiências de vida diferentes, eleva o desempenho da empresa. Mas algumas pessoas não querem isso por motivos incoerentes, como o próprio preconceito.

Para se candidatar a um emprego, as mulheres sentem que devem cumprir 100% dos requisitos. Por outro lado, os homens candidatam-se ao trabalho se considerarem que cumprem 60% dos requisitos. E o resultado é que as mulheres concorrem a menos vagas do que os homens. Esses comportamentos podem estar relacionados ao fato de as mulheres terem menos confiança em suas chances de serem selecionadas. De qualquer forma, quando se candidatam, é 16% mais provável que sejam contratadas, uma vez que geralmente possuem as características necessárias para desempenhar a função.

Já no quesito liderança, destacamos a Women in Business, cuja pesquisa de 2019 apontou que a proporção de mulheres em cargos de liderança no país foi de 25% em 2018, um índice que ainda abaixo de 30% não pode ser considerado como paridade de gênero. Novamente a diversidade tem um peso importante na ponta da hierarquia, resultando em mais discussões sobre o tema e portanto mais disseminação de conhecimento

Nesse sentido, em 2016 a Catho, realizou uma pesquisa com o intuito de traçar um panorama da evolução da carreira dos executivos brasileiros, mostrou que houve um crescimento no percentual de mulheres nos cargos de lideranças, sendo para os papéis de presidente/gerente geral variando em 144,75%, passado de 10,39% em 1996 para 25,40% em 2015. Apesar disso, o percentual ainda continua baixo se comparado a 74,60% de homens ocupando esses postos de trabalho. Ademais, o percentual de mulheres ocupando cargo de CEO em 2015 foi de 5%, passando para 11% em 2016 e 16% em 2017.

Em meio a tantas informações desanimadoras no processo de empoderamento feminino no mercado de trabalho, pesquisas indicam que pensar na inserção da mulher na cena corporativa é tendência que gera resultados e lucros. De acordo com estudo realizado em 2017 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) o aumento de mulheres no mercado de trabalho faria o PIB crescer 3,3% o que é equivalente a R$282 bilhões, acrescentando R$131 bilhões às receitas tributárias. Mas, para isso acontecer, seria necessário reduzir 25% da desigualdade de participação das mulheres no mercado de trabalho até o ano de 2025.

Sarah Buchwitz, vice-presidente de marketing e comunicação da Mastercard Brasil e Cone Sul.

Paula Paschoal, diretora geral da Paypal.

Tânia Cosentino a presidente da Microsoft Brasil.


Escrito por: Lorenza Gelschleiter

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